Matéria Nº 1 – 18/11/2025

A Umbanda, com a grandeza e riqueza de múltiplas influências, é uma religião que carrega toda a complexidade cultural e religiosa do Brasil.
Sua fundação oficial aconteceu em 15 de novembro de 1908, data que marca a manifestação inaugural do Caboclo das Sete Encruzilhadas através de Zélio Fernandino de Moraes. Este espírito se tornou a figura central da Umbanda, simbolizando a união das tradições africanas, indígenas e o espiritismo, dando origem ao movimento umbandista.
No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, Zélio fundou a “Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade” em Niterói, que se tornou o primeiro Terreiro de Umbanda. A proposta desse templo era clara: ser um espaço onde pessoas de diferentes origens, especialmente negros e indígenas, pudessem praticar seus cultos com liberdade. A caridade e a inclusão eram os pilares fundamentais dessa nova vertente espiritual, estabelecida como um local de acolhimento e respeito às diversas tradições espirituais do Brasil.
“Coincidentemente”, o nascimento oficial da Umbanda em 15 de novembro, data da Proclamação da República, fortaleceu o simbolismo de uma nova era para o Brasil. Assim como o país, a Umbanda buscava liberdade e inclusão. No dia seguinte, 16 de novembro, celebramos também o surgimento da primeira Casa de Umbanda, que depois, em 1996, “veio a coincidir” com o Dia Internacional da Tolerância, um momento para refletir sobre o respeito e a aceitação das diversas crenças e culturas presentes no país.
Embora a Umbanda tenha mais de 100 anos de história, ela ainda é relativamente jovem em comparação com outras tradições religiosas globais, como o catolicismo ou o espiritismo. Para entender seus rituais, é fundamental compreender dois conceitos centrais: Sincretismo Religioso e a história da chegada de escravizados ao Brasil.
O sincretismo religioso é a fusão ou combinação de diferentes tradições religiosas. A Umbanda é um exemplo notável desse fenômeno, pois ao longo de sua história, foi influenciada por diversas crenças: as religiões africanas, o catolicismo, o espiritismo kardecista e as crenças indígenas. Esse sincretismo foi essencial para a construção de uma religião que respeita a diversidade cultural brasileira.
Quanto às crenças indígenas, temos a presença dos Caboclos, entre outras linhas de entidades da Umbanda. Esses espíritos representam não só a força da natureza, mas também a sabedoria das matas, como se vê na conexão com a natureza nos rituais, além das diversas ervas utilizadas para chás, banhos e defumações.
No âmbito do espiritismo, Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec, deixou cinco obras principais que fundamentam o Espiritismo (ou Doutrina Espírita), que surgiu em 1857. A base do kardecismo envolve a crença em Deus como a inteligência suprema e única, perfeitamente justa e boa. Também se acredita na imortalidade da alma e na reencarnação, que ocorre em diferentes existências. O espiritismo também ensina a importância da caridade e da moralidade, com a lei de causa e efeito aplicando-se tanto nas existências presentes quanto nas futuras.
No que diz respeito às religiões, as africanas e o catolicismo, ambas chegaram ao Brasil vindas de continentes diferentes, mas com circunstâncias muito distintas. Enquanto o catolicismo foi imposto pelos colonizadores portugueses após a chega aqui no Brasil, as religiões africanas chegaram por meio da força dos escravizados, por volta de 1530. Durante o período da “escravidão”, essas religiões africanas precisaram resistir à imposição do catolicismo, já que cultuar seus Orixás era proibido, sendo punidos aqueles que o faziam. Apesar da abolição da escravatura em 1888, as religiões afro-brasileiras ainda enfrentam preconceito e discriminação, um tabu que precisa ser quebrado.
Hoje, a Umbanda incorporou o sincretismo religioso que foi desenvolvido pelas religiões de matriz africana como estratégia de resistência e preservação de suas tradições, associando Orixás aos santos católicos. Por exemplo, Deus, o Criador de tudo, é associado a Olorum ou Olodumaré, divindade suprema das culturas africanas. Jesus é sincretizado com Oxalá, divindade máxima entre os Orixás, que representa a criação, a paz e a pureza. Outros Orixás, como Oxóssi, são associados a santos como São Sebastião, e Nanã Buruquê é ligada a Sant’Ana.
Há também casos em que um Orixá pode ser associado a mais de um santo, como Ogum, que, dependendo da região, é sincretizado com Santo Antônio ou São Jorge. O último, aliás, é um dos santos mais comuns entre as imagens presentes nos terreiros de Umbanda.
Por sua vez, as religiões africanas, especialmente a tradição iorubá, trouxeram para a Umbanda figuras de Orixás, que são as divindades ligadas às forças da natureza. Além disso, a Umbanda também incorpora espíritos de ancestrais africanos, conhecidos como Preto-Velhos, e utiliza o Cabula e o Calundu, que são rituais e cantos religiosos típicos dessas tradições.
A Umbanda, em resumo, é uma religião que carrega em si a força de diversas culturas e tradições. Como diz parte de seu hino: “A Umbanda é paz e amor, um mundo cheio de Luz, é força que nos dá vida e a grandeza nos conduz.”
Fernando Dias
O conteúdo acima foi elaborado por mim,
com base em diversas fontes
pesquisadas na internet e
na minha vivência pessoal!
Como eu sempre falo:
“Obrigado Deus!”
Mas, para falar a verdade,
eu agradeço também a muitas Entidades,
da Esquerda e da Direita,
Olodumare (Olorun), Orixás,
Arcanjos, em especial São Miguel,
e aos Anjos, principalmente
aquele que me Guarda!
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