Matéria Nº 4 – 18/01/2026

Muito se fala sobre o fim oficial da escravidão no Brasil, ocorrido em 13 de maio de 1888. Porém, pouco se discute sobre os inúmeros atos de resistência e bravura protagonizados por pessoas escravizadas muito antes da assinatura da Lei nº 3.353, conhecida como Lei Áurea, pela Princesa Isabel.
Antes dessa lei, diversos acontecimentos marcaram profundamente a história da escravidão no Brasil, embora não tenham recebido o mesmo destaque nos currículos escolares. Um dos episódios mais significativos foi a Revolta dos Malês, ocorrida na Bahia.
Os Malês eram africanos escravizados de origem muçulmana, em sua maioria provenientes das regiões do atual Benim, Nigéria e Senegal. O termo “malê” deriva da palavra imale, utilizada pelos iorubás para designar os muçulmanos. Eles foram os principais protagonistas da revolta que ficou conhecida pelo mesmo nome.
Na madrugada de 25 de janeiro de 1835, na então capital da província da Bahia, Salvador, ocorreu um dos maiores atos de resistência contra a escravidão no Brasil. A revolta, que tinha como objetivo principal o fim da escravidão e a liberdade religiosa, foi contida pelas autoridades locais após intensos confrontos. Não apenas os principais líderes do movimento foram presos, mas também dezenas de participantes que protestavam contra a condição desumana da escravidão.
Para se ter uma ideia do contexto da época, estima-se que Salvador possuía cerca de 60 mil habitantes, dos quais aproximadamente 73% eram negros, sendo cerca de 24 mil pessoas escravizadas. Esse cenário evidencia a centralidade da população negra na vida econômica, social e cultural da cidade.
“Os Malês’ destacaram-se não apenas por sua coragem, mas também por seu elevado grau de instrução em comparação com outros grupos escravizados. Muitos sabiam ler e escrever em árabe, dominavam conhecimentos religiosos islâmicos e possuíam exemplares do Alcorão. Além disso, utilizavam roupas brancas, amuletos e anéis com inscrições religiosas, símbolos de sua identidade cultural e espiritual.
A organização do movimento foi altamente estruturada. Os líderes formaram grupos armados com facões, espadas e ferramentas de trabalho. Um dos planos era atacar pontos estratégicos da cidade, incluindo igrejas e quartéis, aproveitando a grande concentração de pessoas devido às festividades religiosas, como a festa de Nossa Senhora da Guia.
No entanto, os planos da revolta foram denunciados às autoridades, o que possibilitou uma reação rápida do governo provincial. Mesmo assim, a madrugada foi marcada por intensos combates e grande derramamento de sangue. Estima-se que cerca de 600 pessoas estivessem envolvidas no levante. Ao final, aproximadamente 80 pessoas foram presas.
As punições foram severas, muitos sofreram torturas, açoites e condenações exemplares, alguns foram executados, enquanto outros foram deportados de volta para a África. Apesar da repressão, a Revolta dos Malês deixou um legado significativo.
Embora os Malês não tenham conseguido estabelecer uma sociedade islâmica nem tomar o poder político, sua luta representou uma forte resistência à opressão cultural, religiosa e social imposta pelo sistema escravocrata. Eles reivindicaram liberdade, dignidade e o direito de manter sua identidade. Ainda assim, a abolição oficial da escravidão no Brasil só ocorreria 53 anos depois, evidenciando a longa e árdua trajetória de luta do povo negro no Brasil.
.Fernando Dias
O conteúdo acima foi elaborado por mim,
com base em diversas fontes
pesquisadas na internet e
na minha vivência pessoal!
Como eu sempre falo:
“Obrigado Deus!”
Mas, para falar a verdade,
eu agradeço também a muitas Entidades,
da Esquerda e da Direita,
Olodumare (Olorun), Orixás,
Arcanjos, em especial São Miguel,
e aos Anjos, principalmente
aquele que me Guarda!
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