Matéria Nº 2 – 11/01/2026

No Brasil, marcado por intolerância religiosa contra a Umbanda e religiões afro-brasileiras — frequentemente acusadas de demonizar Exus e Pombagiras — é essencial esclarecer que essas entidades são guias espirituais mediadores, e não forças do mal. Elas atuam sob a orientação de um Deus único, como Olorum ou Zambi. A Umbanda é monoteísta, reverenciando um Criador supremo e onipotente, assim como o catolicismo, as religiões evangélicas, o espiritismo, o judaísmo, o islamismo, a fé bahá’í e o sikhismo.
O monoteísmo postula a existência de um único Deus soberano. Isso contrasta com o dualismo religioso, que é a crença em dois princípios eternos e opostos — como bem e mal — em conflito cósmico. Essa distinção moldou éticas e culturas globais. Este texto defende que reconhecer o monoteísmo nas religiões afro-brasileiras é o caminho para combater equívocos dualistas e a intolerância.
O dualismo religioso surgiu em tradições antigas como o zoroastrismo (c. 1200-1000 a.C.), com Ahura Mazda contra Angra Mainyu, influenciando o maniqueísmo, o gnosticismo e movimentos como os cátaros, perseguidos na Cruzada Albigense. Embora o yazidismo curdo seja muitas vezes confundido com o dualismo por observadores externos, ele foca na unidade divina, ainda que sua cosmologia difira das tradições abraâmicas.
Por outro lado, o monoteísmo judaico-cristão-islâmico unifica tudo sob um Deus uno: o Shemá no judaísmo e o Credo Niceno no cristianismo rejeitam dualidades radicais, atribuindo o mal a desvios humanos e ao livre-arbítrio.
No catolicismo, maior religião no Brasil segundo dados históricos do IBGE, a unicidade divina é dogma central desde o Concílio de Niceia (325 d.C.). A doutrina enfatiza um Deus onipotente e amoroso, baseada em passagens como Deuteronômio 6:4 e Isaías 45:5. No Brasil, essa fé se manifesta em festas como o Círio de Nazaré e no sincretismo com santos associados a orixás, promovendo uma percepção de unidade em meio à diversidade de ritos.
O segmento evangélico, ramo diversificado que apresenta crescimento acelerado nas últimas décadas, reforça o monoteísmo através da autoridade suprema da Bíblia. Seja no pentecostalismo, com foco nos dons do Espírito Santo, ou em vertentes históricas como batistas e presbiterianos, a centralidade está na salvação pela fé em um só Deus.
O espiritismo kardecista, por sua vez, afirma Deus como “causa primeira e inteligência suprema”, vendo o mal não como uma força oposta a Deus, mas como a ausência de perfeição ou fruto da ignorância humana.
No islamismo, proclama-se o tawhid (unicidade absoluta) através da shahada: “Não há divindade senão Deus”. Com cerca de 2 bilhões de fiéis globalmente, o Islã rejeita qualquer dualismo. No Brasil, a comunidade muçulmana promove essa unidade através de mesquitas e diálogos inter-religiosos que reforçam a paz e a submissão ao Criador.
As religiões iorubás, base das afro-brasileiras, centram-se em Olodumare, Deus supremo que delega aos orixás a regência das forças da natureza. Exemplo como Oxalá (paz), Iemanjá (maternidade), Oxum (fertilidade) Ogum (caminhos) e Exu (comunicação) não são deuses independentes, mas emanações da vontade divina
O Candomblé preserva essa ancestralidade em nações como Ketu, Jeje e Angola, onde rituais de axé buscam o equilíbrio e a conexão com o Criador através dos elementos naturais.
A Umbanda, tradicionalmente datada de 15 de novembro de 1908 — quando Zélio Fernandino de Moraes incorporou o Caboclo das Sete Encruzilhadas no “futuro” Centro Espírita Nossa Senhora da Piedade, em Niterói —, integra esses elementos. Sob a égide de Zambi ou Olorum, suas linhas operam em harmonia: a Direita (Caboclos, Pretos-Velhos e Erês, etc) a “linha do meio” (Malandros, Ciganos, Boiadeiro, etc) e a Esquerda (Exus e Pombagiras). Estes últimos são guardiões éticos e agentes de limpeza espiritual, atuando como “advogados” que equilibram energias densas, e não como figuras malignas.
Dados do Disque 100 de 2023 registraram um aumento alarmante de 80% nos casos de intolerância religiosa em relação ao ano anterior, totalizando mais de 1.500 denúncias. As religiões afro-brasileiras são o principal alvo, sofrendo depredações e agressões físicas. É contraditório que, embora quase todas as tradições religiosas brasileiras compartilhem a crença em um Deus único e na origem humana do mal, ainda persista uma marginalização tão profunda contra a Umbanda.
Como podem algumas pessoas tomarem para si uma palavra que é, na realidade, universal? O termo vem do latim credens (“aquele que crê”). Ele deveria ser inclusivo, englobando todos que possuem fé em um ser superior. Enquanto o dualismo radical perpetua visões de caos, o monoteísmo — quando compreendido em sua essência — promove a unidade. Educar sobre a diversidade religiosa é o antídoto contra o ódio.
A Umbanda, com sua mensagem de caridade e respeito, é um ponto de união. A Prece de Cáritas, recitada em muitos terreiros, começa com as palavras: “Deus nosso Pai…”. Essa prece reflete a unidade que nos conecta.
Eu creio em Deus, que associo com Olorum!
Eu sou um crente umbandista!
Creio em Olorum, em Oxalá, no meu Pai Ogum, na minha Mãe Iansã, no meu “acolhedor” Obaluaê e em todos os demais Orixás e em todas as entidades, mas principalmente, sem desrespeitar as demais religiões!!
Axé!
Fernando Dias
O conteúdo acima foi elaborado por mim,
com base em diversas fontes
pesquisadas na internet e
na minha vivência pessoal!
Como eu sempre falo:
“Obrigado Deus!”
Mas, para falar a verdade,
eu agradeço também a muitas Entidades,
da Esquerda e da Direita,
Olodumare (Olorun), Orixás,
Arcanjos, em especial São Miguel,
e aos Anjos, principalmente
aquele que me Guarda!
Devo mencionar o meu primeiro momento de Axé deste ano, onde eu estava
conversando com minha esposa, revisando esse texto e
a Pombagira que ela incorpora veio em terra e Ela me permitiu
uma pequena conversa: Laroyê Dona Dama da Noite!
Clique aqui para fazer download das matérias!
Deixe a sua opinião sobre essa matéria aqui!
Opiniões dessa matéria:
| Nome | Gostou? | Descrição | Data | Hora |
|---|---|---|---|---|
| Carregando… | ||||
