Matéria Nº 11 – 09/03/2026

No último sábado, durante uma gira de Umbanda em que eu camboneava, e após aos atendimentos dos consulentes da casa Templo de Umbanda Caminho de Orixá, o Baiano Sr. Severino dos Coqueiros conversou comigo e sugeriu que eu estudasse, escrevesse e colocasse aqui no site sobre a Jurema Sagrada, claro, durante mais um Abençoado “papo”, entre tantos que já tive com diversas Entidades.
Após esse Baiano, entidade do Pai-pequeno dessa casa onde sou filho, retornar para Aruanda, apresentou-se um Malandro, o Sr. Zé da Esperança, que deu continuidade ao tema, complementando as informações sobre a história da Jurema Sagrada.
Segundo essas duas Divindades e diversas pesquisas, a Jurema refere-se a uma tradição religiosa de raízes profundamente indígenas que já existia no Nordeste brasileiro muito antes do chamado “descobrimento do Brasil”.
Nessa era pré-colonial, o uso ritualístico da planta estava totalmente ligado à vida e ao modo de ser dos povos Tupi e Cariri. Naquele contexto, a Jurema não era uma “instituição” separada, mas parte integrante da vida e da espiritualidade das aldeias.
Com o tempo e os deslocamentos desses povos, as práticas dos rituais foram preservadas e organizadas em locais que viriam a ser conhecidos como Terreiros ou Mesas de Jurema, especialmente nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Esses cultos envolvem o cantar de pontos, toques de maracá, o uso de ervas e a incorporação de Entidades.
O elemento central dessa tradição é a árvore da jurema, especialmente a jurema-preta, considerada sagrada por sua força espiritual e conexão com o mundo invisível. De sua casca e raiz, prepara-se uma bebida ritualística utilizada em cerimônias específicas, permitindo que os praticantes expandam a consciência e estabeleçam contato com os Encantados e Mestres espirituais. A jurema não é apenas uma planta; é um símbolo de ciência e ancestralidade, representando o elo entre o mundo material e os reinos espirituais.
Lembrando algo muito importante, não é uma simples bebida, como se fosse um chá, é uma bebida sagrada e não é para qualquer pessoa fazer.
Com o passar dos séculos, as práticas da Jurema se transformaram devido ao contato com o catolicismo popular e as tradições africanas. Desse encontro, o culto remodelou-se no que conhecemos como Catimbó (ou Catimbó-Jurema), uma manifestação marcada pelo sincretismo e pela resistência cultural. O Catimbó preservou a base indígena, mas incorporou rezas cristãs, imagens de santos e práticas de cura dos pajés que dialogam com outras religiões brasileiras.
Dentro dessa tradição, cultuam-se os Mestres e Mestras da Jurema — espíritos de antigos curadores e líderes que “se encantaram”, tornando-se habitantes das Cidades da Jurema, reinos espirituais organizados em diferentes planos, como o Reino do Vajucá. Durante as sessões, os pontos cantados evocam essas entidades, enquanto o maracá marca o ritmo e fortalece a vibração do ambiente.
A prática envolve ainda o uso intenso de ervas para banhos, defumações e garrafadas, transmitidos oralmente por gerações. A cura na Jurema alcança o campo espiritual, tratando males compreendidos como desequilíbrios energéticos.
Com o surgimento da Umbanda no início do século XX, estabeleceu-se um rico diálogo entre as duas tradições. Embora a Jurema Sagrada mantenha sua identidade e ritos independentes, muitos terreiros de Umbanda, especialmente no Nordeste, incorporaram a Linha da Jurema. Nela, Mestres, Caboclos (Tupinambá, Pena Branca, 7 Flechas e Cabocla Jurema) e Encantados trabalham em harmonia com as demais entidades umbandistas, como Pretos-Velhos e Baianos. Esse intercâmbio fortaleceu a tradição juremeira, ampliando seu alcance sem apagar sua essência nativa.
A Jurema Sagrada é, portanto, expressão de identidade e espiritualidade nordestina. Sobreviveu a perseguições e tentativas de apagamento, mantendo-se firme através da fé. Estudar a Jurema é reconhecer a profundidade da sabedoria indígena e valorizar uma herança que atravessa séculos mantendo viva a chama da ancestralidade.
Fernando Dias
O conteúdo acima foi elaborado por mim,
com base em diversas fontes
pesquisadas na internet e
na minha vivência pessoal!
Como eu sempre falo:
“Obrigado Deus!”
Mas, para falar a verdade,
eu agradeço também a muitas Entidades,
da Esquerda e da Direita,
Olodumare (Olorun), Orixás,
Arcanjos, em especial São Miguel,
e aos Anjos, principalmente
aquele que me Guarda!
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